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Violenta ação policial deixa dez trabalhadores rurais mortos no Pará

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Há 21 anos, em 17 de abril de 1996, o massacre de Eldorado de Carajás chocava o Brasil e o mundo, quando dezenove sem-terra foram assassinados pela PM no Pará. Na manhã desta quarta-feira (24), no mesmo estado, dez trabalhadores rurais foram mortos pela PM em mais um desdobramento criminoso da ação dos latifundiários contra posseiros de terra na região.

O massacre ocorreu na fazenda Santa Helena, área rural do município de Pau D’arco – os policiais mataram nove homens e uma mulher, deixando outros trabalhadores rurais feridos. Nenhum policial se feriu. As vítimas são ligadas à Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e teriam reagido a uma ação violenta de desocupação de uma área da fazenda Santa Lúcia, onde viviam dezenas de famílias.

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, está no Pará e integra uma missão federal que busca informações sobre os homicídios. O presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Darci Frigo, e um representante da Defensoria Pública da União também integram a comitiva que viajou a Marabá (PA), a cerca de 300 quilômetros do local da chacina, onde se encontram os corpos das vítimas.

A missão do Conselho Nacional dos Direitos Humanos tem o objetivo de acompanhar a perícia e exigir celeridade na investigação e responsabilização dos culpados. As mortes ocorrem um dia após o conselho, órgãos públicos e organizações sociais realizarem um ato contra a violência no campo, em Brasília. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo, o pior resultado desde 2003. Em 2017, o total de mortes no campo já chega a 36 – incluídos os dez casos de ontem (24).

Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado do Pará (Fetraf), o caso da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D´Arco, só perde em número de mortos para o episódio que ficou conhecido como Massacre de Eldorado de Carajás, em 17 de abril de 1996, quando 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, os 16 mandados de prisão foram resultado de uma investigação sobre uma suposta tentativa de homicídio. As vítimas da tentativa de homicídio seriam parentes do dono da fazenda e um funcionário de uma empresa de segurança que trabalhava para o dono da propriedade.

Fonte: Portal CTB

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